A História da Paraíba
“Quando o rei de
Portugal
Fundou a capitania
Da Paraíba visando
Combater a
valentia
Dos índios, não
imaginava
Quanto trabalho
teria
Outra meta
lusitana,
Era avançar rumo
ao norte
Para ocupar o
território
Em obstáculos dar
um corte
Banir piratas
franceses
Com braço firme e
forte.
Foram cinco expedições
Até chegar à
conquista
Em todas elas
formou-se
De mortos enorme
lista
Os índios nunca
baixaram
Nem as armas nem a
vista”
Vicente Campos Filho –
“A Conquista da Paraíba” – Literatura de Cordel
Nas artes,
Jackson do Pandeiro, José Lins do Rego, Ariano Suassuna, Pedro Américo e Augusto
dos Anjos. Na política, Epitácio Pessoa, João Pessoa, João Suassuna e José
Américo de Almeida, esse último também escritor.
Eis aqui os
nomes de alguns ilustres personagens da história brasileira oriundos da
Paraíba.
Inicialmente, no
início da colonização, essa terra começou como um pequeno trecho quase inabitado
ao sul da Capitania de Itamaracá, concedida pelo Rei de Portugal ao donatário Pero
Lopes de Souza em 1534. Depois de uma guerra de mais de dez anos contra os
índios potiguares, houve a chamada “conquista da Paraíba”, com a criação da
cidade de Nossa Senhora das Neve, hoje João Pessoa, isso no dia 5 de agosto de
1585. A Paraíba passou à condição de Província após a independência brasileira
de 1822 e, finalmente, tornou-se um Estado da federação a partir da Proclamação
da República em 1889.
Além da
contribuição cultural dos paraibanos à formação do Brasil, a partir daquele
território se iniciou uma sequência de eventos dramáticos que iriam decidir os
rumos da nossa civilização: o assassinato do governador João Pessoa em 26 de
Julho de 1930, então candidato à vice presidência na chapa de Getúlio Vargas, serviria
de estopim para o movimento revolucionário de 1930, que colocaria abaixo a Velha República baseada na política do café
com leite para instituir um novo ciclo de desenvolvimento nacional. Os eventos
da política local paraibana deram impulso à transformação do país em direção à
industrialização, em oposição ao predomínio absoluto do modelo agrário
exportador, ao desenvolvimento urbano, à modernização dos costumes, à formação
da classe operária e à criação dos primeiros direitos trabalhistas.
A História da
Paraíba se inicia através de um evento trágico que confere àquele povo a
altivez e coragem característicos da conhecida figura do “cabra macho”
nordestino. Trata-se do “Massacre de Tracunhaém!” (1574), evento pouco
conhecido dos brasileiros dos estados ao sul e sudeste.
O território onde
hoje se situa a Paraíba foi objeto de uma ocupação relativamente tardia pelos
portugueses. A título de comparação, o Rio de Janeiro foi fundado em 1º de março
de 1565 por Estácio de Sá, após anos de luta contra o invasor francês. São
Paulo começou em 25 de Janeiro de 1554 quando foi rezada a primeira missa no planalto
de Piratininga pelos jesuítas. No caso paraibano, após a expulsão dos piratas
franceses do Rio de Janeiro, muitos deles ocuparam justamente aquele território
ao sul da Capitania de Itamaracá, onde travaram relações com os índios
potiguares que habitavam o litoral, para contrabandear o pau brasil e
estabelecer pequenas feitorias.
Essa forte
articulação entre franceses e índios potiguares dificultou a ocupação da Paraíba
pelos portugueses que, ao seu passo, buscaram travar relações com índios tabajaras,
oriundos da Bahia e que atingiam o território pelo rio são Francisco fugindo de
tribos inimigas.
Como canta o
poeta Vicente Campos nos seus versos de cordel:
“Os
potiguares que eram
Os legítimos
nativos,
Nunca deram
trégua aos brancos
Nem se
fizeram cativos
Braveza,
orgulho e raça
Eram esses
seus motivos
E a tribo
tabajara
Oriunda da
Bahia
Das margens
do São Francisco
Chegou nessa
terra um dia
Fugindo dos
inimigos
Que ali lhe
perseguia”.
Conta a história
que um mameluco português se apaixonou por uma bela índia de 15 anos que era
filha do chefe dos potiguaras. O nome da nativa era Iratembé, também conhecida
como lábios de mel, filha do chefe Iniguaçu. O mestiço português pediu a mão da
cunhã ao seu pai, sendo autorizado o casamento, desde que o mameluco passasse a
viver na tribo, incorporando-se aos hábitos e estilo de vida dos índios.
O português aceita
a promessa, mas rompe o acordo, sequestra Iratembé e a leva para Olinda. Os potiguares marcharam até a capitania
vizinha para exigir a volta da cunhã raptada. Houve intervenção até mesmo de
autoridades portuguesas para que o conflito não escalasse: foi determinado que
o tal mameluco e Iratembé retornassem às terras dos potiguares, atendendo à requisição
dos índios. O acordo, entretanto, foi logrado por Diogo Dias, um cristão novo,
dono de um engenho às margens do Rio Paraíba, que tomou a bela cunhã para si.
Esse foi fato
detonador do massacre de Tracunhaém. Já havia um ódio acumulado dos índios
potiguares pelos portugueses, açulado pelos franceses, de modo que o sequestro
da bela Iratembé apenas serviu como estopim de uma guerra que já vinha se
gestando.
Cerca de 2000
índios marcharam até o engenho de Diogo Dias e assassinaram mais de 600 pessoas
– consta que houve apenas dois sobreviventes, no caso, filhos do dono daquelas
terras.
Assim canta o
poeta paraibano:
“Os índios
caíram em cima
Com uma gritaria
incrível
E voltar para
o engenho
Tornou-se
algo impossível
Na manhã
daquele dia
Deu-se uma
matança horrível.
Não teve
branco, nem negro
Que os índios
não matassem
Nem mulher e
nem menino
Que eles não esquartejassem
Não deixaram
o engenho
Sem que tudo
antes queimassem”
O massacre
chegou ao conhecimento das autoridades da coroa na Europa, sendo determinada a
realizações de expedições para subjugar os potiguaras. As quatro primeiras
tentativas foram derrotadas e apenas em 1585 haveria a definitiva conquista da
Paraíba, através da fundação da cidade onde hoje se situa a capital João Pessoa.
A economia local
inicialmente se deu em torno dos engenhos de açúcar, sem, contudo, o mesmo
êxito da produção na capitania vizinha de Pernambuco. Após a invasão holandesa,
os engenhos paraibanos foram destruídos, sem recuperação posterior. A interiorização
da ocupação do estado foi se dando gradualmente através crianção de gado.
O fracasso dos
engenhos de açúcar fez com que a participação da população escrava de origem
africana fosse relativamente baixa na Paraíba, ao menos se comparada com Bahia
e Pernambuco. No caso das criações de gado, as chances de fuga no sertão eram
enormes, tornando impossível o regime de trabalho escravo naquelas paragens.
Essa situação se
evidencia ainda hoje quando visitamos a Paraíba: poucos negros e muitos
mamelucos, brancos (descendência holandesa, os “galegos”) e mestiços com traços
indígenas, pele parda, cabeça redonda e olhos levemente puxados.
No que toca aos
índios potiguaras, após a conquista da Paraíba, muitos rumaram em direção ao
norte, atingindo o Estado do Rio Grande do Norte.
Ainda hoje, na
divisa entre os dois estados existe um lugar chamado Baía da Traição, município
que abriga a maior parte da população dos antigos potiguares que primeiro ocuparam
a Paraíba.
Bibliografia
“A Escravidão na
Paraíba” – Vicente Campos Filho – Literatura de Cordel
“A Conquista da
Paraíba” – Vicente Campos Filho – Literatura de Cordel
“A Paraíba sob o
domínio holandês” – Vicente Campos Filho
– Literatura de Cordel
“A contribuição
dos franciscanos na Capitania da Paraíba” – Vicente Campos Filho – Literatura de Cordel
“O Massacre de
Tracunhaém e a fundação da Capitania da Paraíba” – Vicente Campos Filho –
Literatura de Cordel

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