José de Anchieta (1534/1597)
Os primeiros
jesuítas que chegaram ao Brasil vieram na esquadra que trazia o 1º Governo
Geral à recém descoberta colônia portuguesa. Isso se deu no ano de 1548. A
nomeação de Thomé de Souza ao Governo Geral respondia à necessidade da Coroa
Portuguesa superar a fragmentação das capitanias hereditárias, restabelecer e
reforçar o poder político dos portugueses no território recém descoberto da América,
onde o abandono do período que marcou as primeiras décadas da colonização
possibilitou o assalto do território pelos franceses e ingleses.
Daquele primeiro
grupo de jovens padres oriundos do Colégio dos Jesuítas de Coimbra que aportou
no Brasil se notabilizaram Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.
Através das
primeiras missões jesuíticas na região de São Vicente, buscaram levar a fé
católica aos índios através do teatro, da poesia e da música. Anchieta foi o
primeiro estudioso e autor de uma gramática tupi, utilizada por todas as demais
missões pelo Brasil. Foi também fundador da cidade de São Paulo. Participou
ativamente da defesa da Capitania de São Vicente e do Rio de Janeiro contra os
franceses e os índios tamoios – e serviu em uma missão de paz em que se
entregou voluntariamente como refém dos índios da tribo inimiga por sete meses.
José de Anchieta
nasceu em 1534 na ilha das Canárias, àquela época pertencente à Espanha. Ainda
criança, muda-se à Portugal, onde se candidata ao Colégio da Companhia de
Jesus. A partir de 1550, esse colégio começa a mobilizar seus alunos para atuar
como missionários na Colônia. Mesmo com graves problemas de saúde, Anchieta se
engaja na missão que aqui aporta em 1553. Era então um jovem de dezenove anos
de idade, cujas qualidades morais já o notabilizavam perante seus companheiros.
Em 1554, José de
Anchieta e outros doze missionário fundam o Colégio de São Paulo, o que
redundou no marco fundador da cidade de São Paulo. Nos primeiros dias daquele
ano, um grupo de religiosos, dentre eles, Anchieta, sobe a Serra do Mar a pé e
atinge o planalto, onde vão se instalar e constituir as primeiras missões.
No dia 24 de
janeiro, os missionários prepararam um barracão no planalto paulista, ao lado
de uma tribo indígena. A missa foi rezada no dia 25, dia do Apóstolo São Paulo,
e por conta da data a cidade passou a ter o nome do santo. José de Anchieta em
carta relata como tudo se deu:
- A 25 de
janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos a paupérrima e estreitíssima casinha
a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele
dedicamos a nossa casa.
A grande
metrópole do Brasil começou, portanto, como um aldeamento indígena. E até hoje
diversos cantos da cidade ecoam nomes que remontam à língua falada pelos índios:
Itaquera, Mboi-mirim, Tucuruvi, Anhangabaú e Jabaquara são todos nomes que vêm
do Tupi.
Imediatamente
após a instalação do barracão e do colégio, os missionários passaram ao
trabalho de catequese, batizando crianças e buscando levar instrução aos índios,
por meio das aulas no Colégio de São Paulo, onde também se formavam novos
jesuítas. A atividade missionária abrangia não só a conversão dos índios mas a
evangelização dos colonos portugueses – em minoria, os brancos que se
aventuravam à exploração da colônia assimilavam a cultura pagã dos nativos, o
intercurso sexual irrestrito e até atos bárbaros de assassinato e guerra,
demandando a intervenção moralizadora dos jesuítas.
No ano de 1557
os franceses instalam-se no Rio de Janeiro, por onde ficam durante dez anos. Só
serão expulsos por Mem de Sá em 1567 quando é fundada a cidade do Rio de
Janeiro. Naquele contexto de guerra de expulsão dos franceses, os índios
tamoios foram recrutados pelos invasores para atacarem os portugueses,
valendo-se de inimizades prévias. Os tamoios, instigados pelos franceses, pretendem
atacar São Paulo. Os ataques acontecem em julho de 1562 e a defesa fica a cargo
de João Ramalho ajudado por Tibiriçá, seu sogro e cacique tupiniquim.
Os jesuítas,
inimigos da escravização dos índios, decidem intervir através de missão de paz
junto aos índios Tamoios. São encaminhados dois pacificadores: Manuel da
Nóbrega e o Padre Anchieta. É feito um acordo: duas lideranças dos Tamoios
ficariam reféns dos portugueses e os dois padres da Companhia ficariam reféns
dos Tamoios, tudo para a garantia de paz durante a trégua da Guerra. Por ser o
maior conhecedor da língua Tupi, Anchieta era a pessoa certa para cumprir a
missão.
Durante os sete
meses que ficou com os Tamoios, Anchieta continuou seu trabalho de evangelizar.
Esteve sujeito ao assédio e zombaria dos índios – o seu voto de castidade
desafiava a imaginação das índias que se ofereciam voluntariamente ao sexo e
eram pudicamente rejeitadas. Em determinado momento, um cacique o ameaça de
morte, culpando-o pela ausência de caça nas armadilhas. Anchieta fez uma promessa rogando por sua
salvação dos índios: escreveu na areia da praia um longo poema dedicado à “Virgem
Maria Mãe de Deus”. O jesuíta memorizou o poema para depois passa-lo no papel:
ao todo 4172 versos em latim.
Após a expedição de paz junto aos Tapuias, Anchieta viaja à Bahia onde é ordenado padre aos trinta anos de idade. No ano de 1570 com a morte de Manuel da Nóbrega, Anchieta assume do Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Entretanto, já em 1574 o jesuíta retorno à São Vicente para retomar o trabalho de evangelização dos tapuias . Continuaria sua vida de missionário, viajando por todo o país, até o ano da sua morte em 1597. Faleceu quando tinha 63 anos de idade e 44 anos prestando os seus serviços ao Brasil. Conta a história que milhares de índios acompanharam o enterro do padre caminhando por 90 km.
Hoje José de Anchieta é conhecido como apóstolo do Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário