Marechal Cândido Rondon (1865/1958)
A grande contribuição
do Marechal Cândido Rondon ao Brasil diz respeito à constituição de uma nova
política indigenista oficial, materializada em 1910 com a criação do Serviço de
Proteção ao Índio (SPI). Esse órgão foi
o precursor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e tinha como
finalidade prestar assistência aos índios e integrá-los à sociedade brasileira.
A constituição
dessa nova política oficial indigenista se baseou em princípios traçados por
Rondon durante os anos em que trabalhou liderando expedições militares nos
territórios do Mato Grosso, Rondônia e Acre, entre os anos de 1890 e 1990, com
a finalidade de integrar o território nacional através de construção de linhas
telegráficas. Contrariando a forma secular com que o Estado, desde os tempos da
colônia, tratava as populações indígenas, Cândido Rondon sempre apostou numa
orientação pacifista.
Sob a sua liderança,
as expedições adotavam como método não revidar pela força da bala os atos de
violência dos índios, os seus ataques de arco e flecha, perpetrados sob a
proteção das matas cerradas – ele os via até como legítimos, dada a conduta dos
brancos de tomarem as terras dos índios e empregarem-nos em trabalhos análogos
à escravidão. Quando eram atacados pelos nativos, as colunas militares lideradas
pelo Marechal retrocediam e até entregavam presentes, deixando-os expostos nessa
retirada ordeira, como meio de conciliação.
Ainda nos anos
de 1900, quando ocorriam essas expedições, o Brasil tinha uma vasta porção do
seu território ao norte completamente despovoado e desconhecido, sem qualquer
linha de comunicação terrestre com os centros urbanos do litoral. As entradas oficiais,
conduzida pelos militares, visava integrar o território nacional e manter o
controle de nossas fronteiras, criando os primeiros contatos de brancos com
índios, alguns ferozes, que ainda praticavam a antropofagia – o marechal se
notabilizou por ter conseguido pacificar uma dessas tribos, a dos Nhambiquaras.
No que toca à
relação dos brancos com as populações indígenas, Cândido Rondon adotara como lema:
“morrer se necessário, matar nunca”.
Cândido Mariano
da Silva nasceu em 05 de maio de 1865 na sesmaria do Morro Redondo, no Mato
Grosso. O seu semblante físico revela a origem indígena, de parte materna. Seu
pai era de origem mameluca, miscigenação de português e índio. Perdeu os pais
ainda muito jovem e foi criado por um tio que o auxiliou nos estudos. Concluído
o curso primário, aos dezoito anos de idade, se lança ao Rio de Janeiro para
disputar uma vaga na prestigiosa Escola
Militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro. Consegue a aprovação e se
notabiliza pela disciplina nos estudos, obtendo aprovação com distinção e em
pouco tempo se habilitando ao Ensino Superior.
Cândido Rondon
foi aluno de Benjamin Constant na Escola Militar, onde sofreu a influência do
pensamento republicano e positivista. Assumiu o republicanismo e o positivismo
como doutrina política, inclusive no que concerne às suas políticas
indigenistas.
Nunca carta em
que expos os seus princípios em torno da causa índios, afirmou: “a
catequização dos indígenas, compreendendo a sua incorporação à nossa sociedade
pela assimilação de nossa indústria, nossas artes, bem como pela adoção de
nossos hábitos – que resultam das nossas crenças religiosas, no sentido
positivo desse termo – julgo-a ser um problema inabordável no presente, em que
por tantas crenças se repartem as preferências das populações. Como positivista
e membro da Igreja Positivista do Brasil, estou convencido de que os nossos
indígenas deverão incorporar-se ao Ocidente sem que se tente força-los passar
pelo teologismo” (teologismo - uso indiscriminado e abusivo da teologia
para a solução de todos os problemas.).
O Marechal
participou diretamente dos eventos que conduziram ao quinze de outubro de 1889 e
à proclamação da República no Brasil.
Mas seria
através das expedições na esteira da construção dos telégrafos que Rondon forjaria
as suas ideias sobre o índio brasileiro, através do contato direto, travando
amizade com as lideranças indígenas, participando das cerimônias e rituais das tribos, sempre dentro
de um viés conciliatório. Foram expedições que remetem às bandeiras paulistas, se
não no que se refere à forma como tratava os índios, sem o uso da violência
como os bandeirantes, ao menos no que toca às grandes extensões territoriais
percorridas.
Em 39 de abril
de 1891, quando da inauguração das novas estações telegráficas, a comissão
liderada por Rondon percorrera 1574 km, passando pelo Estado do Mato Grosso até
as fronteiras com a Bolívia e Paraguai. Enfrentavam a fome, o risco dos ataques
dos índios, a malária e beribéri. Como meio de superar o vasto território
fechado pela floresta, travava relação com os índios, convocando-os a
auxiliarem picando as matas e fornecendo alimentos. Em contrapartida, auxiliava
os índios na demarcação das suas terras. Por onde passava, a comissão liderada
por Rondon deixava avisos públicos, dizendo que aqueles que tomavam as terras
dos nativos estariam sujeitos à autoridade e punição do Estado.
Já ao final da
vida, em 1955, recebeu do Congresso Nacional a insígnia de marechal. Nesse
mesmo ano, ao antigo território de Guaporé foi dado o nome de Rondônia, onde
hoje se situa o Estado de Rondônia, um dos últimos estados criados no país.
Cândido Rondon
morreu em 19 de janeiro de 1958, aos 93 anos de idade.
Bibliografia: “Marechal
Rondon – 1865/1958” – Coleção Grandes Personagens da Nossa História – (Org.
Sérgio Buarque de Holanda) – Ed. Abril

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